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      REVISTA  JURIDICA  CONSULEX  ANO IV - VOLUME I   www.consulex.com.br   
 
E N T R E V I S T A

 

"Há, atualmente, mais de 300 entidades espalhadas pelo País que se dedicam a divulgar o desaparecimento de crianças. De qualquer forma, o Inter Bureau foi no Brasil a entidade pioneira em fazer esse tipo de trabalho"

  

WALMIR

BATTU

"Esse Estatuto da Criança e do Adolescente é um dispositivo muito moderno, mais só funcionaria se houvesse estrutura para recuperar e apoiar o menor"

         WALMIR FERREIRA BATTU  
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                   O Sherlock Holmes  do Brasil

"Toda experiência, até como pipoqueiro, é válida para a profissão. Quando eu falo em polícia, falo de cadeira. Ela é muito limitada. Está limitada nas verbas, expedientes, ordens e, sobretudo, limitada às decisões de inteligência."

 

 

E le não sai às ruas com uma lente de aumento, óculos caídos no nariz, um cachimbo ou um chapéu engraçado. Mas, certamente, compará-lo ao famoso personagem de Arthur Conan Doyle é inevitável, devido a sua criatividade e capacidade de desvendar mistérios. O professor Walmir Ferreira Battu resolveu dedicar toda a sua experiência como detetive em busca de crianças desaparecidas. No, entanto, encontrar pistas e lograr êxito em tal empreitada não é nada elementar, como diria Sherlock Holmes. Inúmeros casos acabam sem solução, gerando profundas marcas nas o famílias e na própria sociedade em geral. Pensando nisso, Walmir transformou sua busca num ideal de vida, fundando Bureau Internacional de Busca Crianças a Desaparecidas (Interbureau). A entidade produz cartazes com fotos de crianças desaparecidas nos idiomas português, espanhol, francês, alemão, árabe e hebraico, que são distribuídos ao mundo com a ajuda do Itamaraty. No Brasil, há um corpo de voluntários em vários Estados da Federação, especialmente treinados para investigar desaparecimentos. Walmir nasceu em Cruz Alra (RS), foi delegado de polícia e, atualmente, é detetive criminal, preside o Interbureau e dedica-se também ao seu trabalho como escritor. Autor de diversas obras, dentre as quais destacamos. O Novo Manual do Detetive Particular, A Falência da Estrutura Policial no Brasil, o romance Meu Querido Detetive, Glossário e Gírias das Drogas , Manual do Karatê de Contato, O Esconderijo da Verdade, A Carbonária e, Pérolas da Internet. Seu mais recente lançamento é o livro Desaparecimento, Drogas e Seqüestro - Como Prevenir e Enfrentar, cujo objetivo é obter recursos para o Interbureau, além de servir como um alerta às autoridades e á sociedade brasileira. Na área de investigação privada, registra centenas de casos todos solucionados e comprovados, sendo um dos profissionais da área mais entrevistado e divulgado pela imprensa falada, escrita e televisiva. No Saguão do Hotel Kubitscheck Plaza, em Brasília, Walmir recebeu a CONSULEX - REVISTA JURÍDICA para a seguinte entrevista:

                    

Revista Jurídica consulex elege Walmir Battu o Sherlock Holmes Brasileiro - veja entrevista completa

           

              Criatividade e capacidade para desvendar os mistérios

Revista Jurídica CONSULEX - O senhor poderia fornecer um histórico a respeito do Inter Bureau?

Walmir Ferreira Battu - O Inter Bureau foi criado em março de 1996 em função de minha atividade como investigador particular. Quando fui contratado para investigar o desaparecimento de determinada criança no Paraná, senti a necessidade de pesquisar sobre outros desaparecimentos, a fim de ver a correlação entre os casos. Observei que em todos eles não havia divulgação, nem inquérito, nem relatórios de investigação, mas apenas um boletim de ocorrência. Todos os Estados brasileiros apresentavam a mesma realidade, o que me levou a concluir que, na verdade ninguém estava cuidando dessas crianças desaparecidas. Então, surgiu a idéia de criar uma organização não-governamental com o intuito de, através do trabalho social e filantrópico, cuidar desses casos. Primeiramente, quis reunir fotos  das crianças  desaparecidas. Então  surgiu   a  ideia de  criar  uma

 
"A Justiça entende que o menor infrator deve ser enclausurado. Não é esse caminho. O correto seria incentivar a prática de esportes, estudos, cursos profissionalizantes e até o fomento de uma cultura religiosa."
 
organização não com o intuito de, através do trabalho social filantrópico, cuidar desses casos. Primeiramente, quis reunir fotos de crianças desaparecidas , criar cartazes e divulgá-los em vários idiomas. A própria Interpol passou a nos fornecer dados. Na época da fundação do Bureau, os pais de duas meninas belgas estiveram no Brasil procurando por elas, mas era uma pista falsa. Nós nos interessamos em investigar um histórico do desaparecimento e acabamos sugerindo à polícia belga que procurasse em seu país. As meninas foram realmente localizadas, mas, infelizmente, estavam mortas. Graças ao Itamaraty, distribuímos em torno de 2 mil cartazes em vários idiomas, que foram de grande auxílio em outros países. No Brasil, cerca de 30% das crianças que divulgamos em  cartazes foram localizadas. De 1996 para cá, já encontramos em torno de 400 crianças,em decorrência desse tipo de divulgação, mas também graças ao trabalho de nossos voluntários.

Revista Jurídica CONSULEX - Há muitos casos de crianças desaparecidas num país e encontradas em outro?

Walmir Ferreira Battu - Existem casos assim, mas são de difícil solução. Tivemos um exemplo em Curitiba em 1986, antes, portanto, da criação do Bureau. Uma menina foi raptada na casa da mãe por uma empregada. Esta vendeu a criança a um casal de israelense. Com o auxilio da polícia de Londres, conseguiram repatriar a criança dois anos depois. Foi uma batalha judicial tremenda, o governo do Paraná ajudou a bancar a permanência da família lá para pressionar e conseguiram que a Justiça de Israel apreendesse a menina e a devolvesse aos seus pais verdadeiros. Foi o único caso desse tipo - de todos os que presenciamos - que resultou em sucesso. Mas tem outro lado da história. Essa criança vivia em israel com todo o conforto e carinho e o casal brasileiro é paupérrimo. Após voltar ao Brasil, a menina caiu no abondono e, mais tarde, engravidou de um PM e se prostituiu. Aí ficamos questionando: "quem tem direito? A criança ou os pais da criança?"

 

Revista Jurídica CONSULEX - Quantas crianças desaparecem diariamente no Brasil?

Walmir Ferreira Battu - O número varia entre 100 a 600 crianças diariamente, mas pode chegar a 1.000, dependendo da época. No entanto, a maioria dos casos resuma-se a desaparecimentos-relâmpago da criança. Em geral, logo no dia seguinte ou 48 horas depois, ela reaparece. Já os desaparecimentos insolúveis giram em torno de 60 a 100 crianças por mês. Com o advento do Bureau Internacional, surgiram associações do mesmo Gênero fomentadas por algumas mães de crianças desaparecidas, ou por algum voluntário do próprio Inter Bureau. Há, atualmente, mais de 300 entidades espalhadas pelo País que se dedicam a divulgar o desaparecimento de crianças. De qualquer forma, o Inter Bureau foi a entidade pioneira em fazer rddr tipo de trabalho. Nosso cartaz é bem distinto, com estética-padrão e até modelo dele é patenteado. Assim como as recuperações avançaram no Brasil, também aumentaram os desaparecimentos, devido á situação social do País.

 

vendo um problema muito sério de É importante destacar que 99% das crianças desaparecidas são pobres.

Revista Jurídica CONSULEX - Quais as principais causas de desaparecimento de crianças?

Walmir Ferreira Battu - Há uma série de circunstâncias que levam a isso: há crianças que fogem devido aos maus tratos do padrasto, pai, ou mãe; ou então porque são utilizadas na medicância ou na distribuição de drogas; ou mesmo subtraídas para fins de prostituição infantil e pedofilia. Por fim, há casos de desaparecimento com o fito de realizar a retirada de órgãos. É mais comum o comércio da adoção ilegal. Esse é um fato que envolve tanto as nascituras como as crianças de cinco ou seis anos. Por exemplo: na Itália, um casal cuja média de idade seja de 45 anos, procura adotar - e há uma recomendação legal sobre isso - crianças de quatro a seis anos. Se é um casal mais jovem, de 30 anos, a preferência recai para meninos e meninas de até dois anos. Na Itália, assim como em Israel e na Europa de um modo geral, está ha

dissidência. os casais praticamente

"Primeiramente quis reunir fotos das crianças desaparecidas, criar cartazes e divulgá-los em vários idiomas. A própria Interpol passou a nos fornecer dados."
 

não tem filhos, nem têm com quem deixar a herança; assim, partem para a América do Sul em busca de uma adoção. A burocracia aqui é bastante complicada e até corrupta, por isso, optam por outro caminho: a encomenda. E aí não faltam pessoas especializadas em fornecer crianças dentro de uma determinada característica. Estamos investigando um caso desses no Paraguai. No Nordeste, o maior problema é da prostituição infantil e, no Rio de Janeiro e Paraná, é a retirada de órgãos.

Revista Jurídica CONSULEX - O Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição Federal delegaram ao Ministério Público a função maior de defensor dos direitos e interesses  da criança

e do adolescente. O MP vem realizando isto de forma satisfatória? O que está faltando?

Walmir Ferreira Battu - Está faltando ao Estado dar a estrutura necessária. Esse Estatuto da criança e do Adolescente é um dispositivo muito moderno, mas só funcionaria se houvesse estrutura para recuperar e apoiar o menor. Eu mesmo posso dar um exemplo: vi umas oito crianças sentadas próximas a uma padaria e cada uma delas com um saquinho de leite cheio de cola. Aí eu peguei o celular, chamei o SOS Criança explicando a situação e pedindo providências imediatas. Sabe o que eles disseram? "Nós somos proibidos de forçar essas crianças a saírem daí, porque fere o direito de ir e vir do menor, que está previsto no Estatuto. Consequentemente, também não temos como proibi-las de usar a cola. Não podemos fazer nada." Em resumo, ficou como estava. Mesmo que mandassem uma viatura para recolher as crianças, onde iriam colocá-las? Podem até alojar em num colégio ou numa creche, mas, e quanto ao acompanhamento? Quem faz? A questão é a seguinte: não tem como acompanhar, não tem como orientar, não tem como proteger, mas tem como depositar. E aí ocorrem coisas vergonhosas como a FEBEM, que se tornou faculdade de crimes. A Justiça entende que o menor infrator deve ser enclausurado. Não é esse caminho. O Correto seria incentivar a prática de esportes, estudos, cursos profissionalizantes e até o fomento de uma cultura religiosa. Além disso, caberia uma assistência aos pais e às famílias desses menores. O Governo é totalmente responsável por esse quadro e é omisso. A sociedade é fruto da ação do governo. Se o governo quiser uma sociedade eficaz, tem que dar condições. Se a mantiver miserável, não dá para fazer nada. Acho que será preciso mais de 500 anos para tentar mudar a situação. A polícia, por sua vez, não tem efetivo suficiente para cuidar de todos  os casos de desaparecimento. Em minha opinião, deveríamos ter delegacias especializadas em desaparecimentos de crianças e outras em adolescentes. Porque não da para trabalhar as duas ocorrências ao mesmo tempo. Ademais, os custos são altíssimos. Para seguir pistas é necessário percorrer todo o Brasil, e não há delegacia no País em condições de custear um policial em viagem. No momento, se ele suspeitar, por exemplo, que a criança esteja em São Paulo, é feito um pedido a delegacia de lá. O problema é que os paulistas recebem centenas de pedidos de busca de crianças desaparecidas no País e até no exterior. Não tem como atender a demanda. Fica o caso sem solução. O Inter Bureau só se dedica a casos de desaparecimento de crianças de até 12 anos. Não temos condições de ir além disso, até porque a nossa verba vem só dos voluntários.

 

Revista Jurídica CONSULEX - Qual a finalidade do livro Desaparecimento, Drogas e Seqüestro - Como Prevenir e Enfrentar?

Walmir Ferreira Battu - A finalidade é, além de instruir a sociedade sobre como previnir o desaparecimento, a droga e o seqüestro, e também arrecadar recursos para instituição poder dar continuidade ao seu trabalho. Nós temos o núcleo do Inter Bureau em São Paulo, Bahia e no DF, onde ainda esta em fase de organização. Tudo isso partiu de um ideal que me custa caro, mas dá uma grande satisfação pessoal.

Revista Jurídica CONSULEX -  Há cursos para formar voluntários?

Walmir Ferreira Battu - Os voluntários são recrutados, em sua maioria, entre profissionais da investigação, que se prestam a ajudar nas horas de folga. Quando ocorre um desaparecimento, a gente coloca esse pessoal em campo.

Revista Jurídica CONSULEX - Qualquer pessoa pode ser voluntária?

Walmir Ferreira Battu - Sim. basta fazer a inscrição e, logo depois, o candidato é investigado para verificarmos se há antecedente criminal. Nós tivemos um caso de uma mulher que, quando fomos investigar sua vida pregressa, descobrimos que ela esteve envolvida em desaparecimento de crianças. A seleção é, portanto, rigorosa. Se houver admissão, a pessoa recebe apostila sobre como proceder quando toma conheçimento de um desaparecimento. Isso inclui conversas com a família da criança desaparecida, obtenção de dados e fotos, boletim de ocorrência, acompanhamento do trabalho da polícia no caso e trasmissão das informações ao Inter Bureau, a fim de que os cartazes tamanho A4 com a foto da criança e os dados possam ser feitos e distribuidos de imediato a órgãos públicos, escolas etc. A imprensa é muito importante nesse trabalho. A Rede Globo já ajudou na localização de muita gente, através daqueles flashes de crianças desaparecidas. Teve até uma novela que desenvolveu esse trabalho. Coincidiu com a época do surgimento do Inter Bureau.

Revista Jurídica CONSULEX - Que orientação o senhor daria a um profissional de Direito que tivesse em mãos um caso concreto de desaparecimento?

Walmir Ferreira Battu - O advogado deve ter a obrigação de conheçer para poder informar. Se o desaparecido for um adolescente, é

importante   ver  se  deixou   algum

 

bilhete, se brigou com os pais ou os irmãos, se fugiu com o namorado ou namorada, se levou mala ou mochila...Tudo isso deve ser bem investigado nas primeiras 24 horas antes de qualquer aviso à polícia. Em caso de crianças menores, é preciso verificar se os pais são legítimos ou mesmo separados. Nestes casos, pode ocorrer que o pai pega a criança e a mão nem se dá conta. O advogado precisa se ater aos detalhes.

Revista Jurídica CONSULEX - Sua experiência de delegado de polícia auxiliou em seu trabalho como detetive?

Walmir Ferreira Battu - Toda esperiência, até como pipoqueiro, é válida para a profissão. Quando eu falo em Polícia, falo de cadeira. Ela é muito limitada. Está limitada nas verbas, expedientes, ordens e sobretudo limitada às decisões de inteligência. Com isso, ela não tem um raio de ação muito grande. Não tem agilidade e independência, o que a torna um pouco lerda, amarrada. Como detetive particular eu me especializei na área criminal porque era meio em que eu trabalhava. No entanto, a experiência de criar, desenvolver e improvisar situações, eu adquiri realmente como detetive particular, e não como delegado. O detetive tem mais liberdade, puxa muito pela criatividade, o raciocínio tem que ser mais lógico. Por exemplo: houve situações em que eu era preciso ficar de plantão três ou quadro dias. Para isso, não poderia ficar numa moto, num automóvel ou no meio fio, porque logo iriam me achar suspeito. Então qual a justificativa para permanecer três dias ali? Um carrinho de cachorro quente, com a ajuda de um auxiliar. Em frente a um colégio, por exemplo, dá para levar um carrinho de pipoca e ficar uma semana observando o movimento. Esse é um trabalho que a gente desenvolve como detetive e a polícia normalmente não faz. Pelo que me consta, só o FBI utiliza este tipo de estratégia. Numa filmagem, pegamos um furgão, quatro câmaras, uma em cada lateral, um vídeo de segurança bancária e, ao final do dia tem-se uma tomada geral de todo o movimento em volta do furgão. Enquanto isso, você pode tomar seu café, seu lanche, namorar, voltar e recolher o filme. Aí, basta ir ao escritório examinar o conteúdo.

Revista Jurídica CONSULEX - O senhor aconselharia algum bacharel em Direito a seguir pelo mesmo caminho?

Walmir Ferreira Battu - Aconselharia qualquer bacharel em direito a fazer um curso de detetive, pois abre um leque de propabilidades para solucionar situações jurídicas. O cara trabalha com provas.

Revista Jurídica CONSULEX - Quando o senhor era delegado, havia espaço para exercer a função com mais criatividade?

Walmir Ferreira Battu - Na verdade, sempre fui um cara operacional e bastante dinâmico. Ficava doido para concretizar minhas idéias, mas era impedido. Então, comecei a abrir um escritório particular; nas horas vagas prestava serviços, o volume de trabalho aumentou e, de repente, percebi que ganhava cinco ou seis vezes mais no serviço particular do que na polícia. Era professor também. os dois soldos não faziam um terço do que eu ganhava como detetive. isso sem contar a tentação de corrupção que cerca uma autoridade policial. Se você não cai nessa, fica marcado. Alguns dos outros delegados não o aceitam no meio, porque, sendo você caxias, eles lhe evitam e até armam situações para lhe pegar. Me senti melhor saindo da função de delegado. Hoje estou feliz, já é o sexto livro que escrevo. O Novo Manual do Detetive Particular, por exemplo, foi o primeiro do gênero. Eu ensino o leitor a abrir a agência, a fazer contrato, o registro na prefeitura, o tipo de equipamento necessário, como é a entrevista com o cliente, como são montados os dossiês, custo de fotografia...tudo, enfim, relacionado à área. Elaborei uma tabela de contrato de honorários de investigação privada que persiste há 10 anos.  

 

"O araponga normalmente é um agente, um espião governamental, ou aquele que faz espionagem industrial. Não se pode confundir com o investigador, um sujeito que sai à procura de provas para alicerçar informações do cliente."

 

Até    então, não havia um parâmetro para cobrar um investigação.    Estabeleci uma diária de R$600,00 a R$1.000, na qual está computada uma série de coisas, como telefone, aluguel, escritório, combustível, etc. Atualmente, o filé mignon da investigação privada é o adultério. O preço da causa gira em torno de 40 salários mínimos.

Revista Jurídica CONSULEX - Por falar nisso, como o senhor definiria a figura do detetive?

Walmir Ferreira Battu - O araponga normalmente é um agente, um espião governamental, ou aquele que faz espionagem industrial. Não se pode confundir com o investigador, um sujeito que sai à procura de provas para alicerçar informações do cliente. Um advogado, quando uma causa de divórcio, por exemplo, precisa provar que o cônjugue incidiu em erros, a fim de justificar seu petitório. Então, ele aconselha o cliente a contratar um detetive para pegar um furo. E por mais que pareça jocoso, na verdade provar que o amante desvia os seus rendimentos para sustentar uma segunda casa, uma segunda família, é importante para o processo. Isso é muito sério. O cara às vezes deixa seus próprios filhos passando necessidade para suprir a amante. Para provar isso, só com o trabalho do detetive. Já o detetive criminal seria uma espécie de auxiliar do Ministério Público na acusação ou do advogado de defesa. O não-pagamento de  uma pensão, por exemplo, refere-se à parte cível. O problema do não-pagamento não é assunto do detetive, mas a localização do devedor da pensão, sim. As vezes, a esposa está separada há 10 anos, mas não recebe pensão porque não consegue citar o cara.

    Revista Jurídica CONSULEX  - Entrevista Luciana Amaral, publicada na revista ANO IV Nº 41

 

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